Calculose Renal

A calculose renal (pedra nos rins, litíase renal ou nefrolitíase) é conhecida desde os primórdios da medicina e acomete mais os homens na idade de 20 a 40 anos, com maior incidência na raça branca (cerca de 4 vezes mais). É uma doença recorrente, com reincidência de 50% – entre cinco a dez anos do primeiro -, se os pacientes não forem submetidos a nenhum tipo de tratamento.

O cálculo renal consiste em uma massa sólida formada por pequenos cristais que são normalmente encontrados na urina. A formação dos cálculos é o resultado de um processo complexo e multifatorial, mas a principal condição para a formação de cálculo renal é a supersaturação urinária dos cristais e a ausência ou diminuição das substâncias inibidoras da cristalização existentes nos rins. Distúrbios metabólicos, infecções urinárias e anormalidades anatômicas estão entre os principais mecanismos responsáveis pela formação de cálculos renais. Existe uma relação direta entre a sobrecarga de ingestão de proteínas e a formação de cálculos renais por causa da maior excreção de cálcio, oxalato e urato pelos rins, o que aumenta a incidência de cálculos nas pessoas com predisposição.

Os cálculos de cálcio são os mais comuns e podem combinar-se com outras substâncias, o oxalato, o fosfato ou carbonato, para formar a pedra. Doenças do intestino delgado podem aumentar a incidência de cálculos de oxalato e cálcio. Os cálculos de ácido úrico são mais comuns em homens do que em mulheres e podem ocorrer com crise de gota ou em pacientes submetidos a quimioterapia.

O principal sintoma de cálculo renal é a dor lombar ou na região do abdôme, com irradiação para a virilha ou os testículos. Outros sintomas são urina de cor avermelhada, calafrios, febre, náuseas e vômitos.

O diagnóstico deve ser confirmado através de exames de imagens e laboratoriais, e o tratamento deve ter como objetivo aliviar os sintomas e evitar o aparecimento de novos cálculos. Em geral, os cálculos são pequenos e podem ser expelidos sozinhos e o tratamento varia de acordo com o tipo do cálculo e a gravidade dos sintomas. Quando o cálculo é expelido, a urina deve ser filtrada e a pedra deve ser guardada para ser examinada. Dependendo do tipo de cálculo, podem ser prescritos medicamentos que diminuirão a formação de cálculos ou ainda ajudar na sua ruptura: alopurinol para cálculos de urato, antibióticos para cálculos de estruvita, diuréticos, soluções fosfatadas, bicarbonato ou citrato de sódio.

Nos casos em que o cálculo for igual ou maior que 1 cm e estiver localizado perto dos rins, é usada a técnica de litotripsia, que usa ondas ultrassônicas ou ondas de choque para cindir o cálculo em partes menores. A nefrolitotomia percutânea é usada em cálculos maiores dentro ou perto dos rins, através de um endoscópio inserido por uma pequena abertura. A ureteroscopia pode ser usada para cálculos do trato urinário inferior.

A prevenção é muito importante no tratamento da calculose renal. O paciente deve ingerir bastante líquido (de 6 a 8 copos de água ao dia ), alterar a dieta dependendo do tipo de cálculo e pode também necessitar de medicamentos para evitar a formação de novos cálculos.

Dr. Arthur de Campos Pereira da Silva
CRMSP – 16.600
Médico Nefrologista do INEFRO
Mestrado pela FMUSP

2017-05-10T13:15:05+00:00